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O que mudou na Educação?

Nesse mundo cada vez mais veloz e de mudanças exponenciais, às vezes a gente muda e nem sabe como, nem sabe o porquê. As coisas acontecem e a gente simplesmente acompanha, sem entender direito quais os movimentos que provocaram essa mudança, nem mesmo o que está por trás de cada coisa que mudou.

Tudo muda muito rápido, tudo muda o tempo todo, mas se você parar pra pensar, vai lembrar de várias coisas que não mudam assim tão depressa.

Você pode ter pensado na piada do pavê, naquele deputado Federal que tá no 15º mandato ou na enchente que acontece todo mês de Fevereiro. Além dessas coisas, me arrisco em uma frase que sempre ouvi: “A Educação é a mesma faz 200 anos.”

Mas por que então, nesse mundo que muda tudo, não conseguimos mudar um dos pilares de uma sociedade?

Acho que estamos justamente nesse momento de transição. No meio de um processo de desconstrução e reconstrução.

Os pilares da educação tradicional – aquela baseada no sistema da revolução industrial, onde todo mundo aprende a mesma coisa, ao mesmo tempo – são cada vez mais questionados. E tem quatro pontos que são fundamentais prá gente entender esse modelo que sempre funcionou: (que modelo que está ai / modelo vigente)

Local: O aluno precisa estar sempre em um mesmo local para o aprendizado. Uma sala de aula, um ambiente específico que fora dele o aprendizado não acontece.

Tempo: Sempre há um momento específico para se aprender. O aprendizado acontece em uma determinada fase da sua vida. Não importa se você quer ou não aprender, se vai usar amanhã ou daqui a 15 anos. É tudo no tempo que a instituição de ensino determinar que é melhor pra você.

O que você sabe: O seu nível de conhecimento é sempre medido com uma prova. Uma nota, um valor que comprove (?) que você aprendeu. Lembra que você recebia nota na aula de artes? É, então…

Quem ensina: Um professor tem a missão solitária de te ensinar tudo. É o guardião da sabedoria e vai passar tudo o que você pode e precisa aprender.

E o que está mudando? Todos os pontos estão sendo quebrados para construir um novo modelo educacional.

Olha só:

Local: Hoje você pode, com cursos online, aprender de onde quiser. Você pode estar na sala de aula, mas também pode estar em casa, no caminho do trabalho, no escritório. Pode estar em um grande centro ou no campo, não importa. Você escolhe o melhor lugar para aprender sem perder nenhuma qualidade no seu ensino.

Tempo: Quem decide a melhor forma para aprender é você mesmo. O que você precisa aprender para usar na sua vida agora? Vai lá e aprende. Busca na internet, procura um curso livre, faz um curso online, não importa. Você decide o que precisa aprender de acordo com as necessidades que tem na sua vida.

O que você sabe: Aqui a prova é a vida. Vai lá e aplica. Testa, acerta e erra. E se der errado você volta e testa novamente. Falhar faz parte do processo e não quer dizer que você não sabe ou não aprendeu, quer dizer que tem outras formas de se fazer e que você pode melhorar. A falha está no processo de evolução. Não é uma nota que vai dizer se você está certo ou errado, mas a própria vida.

Quem ensina: O papel do professor é muito mais próximo ao de um mentor. Com tantos recursos a disposição, tudo é fonte de aprendizado. O seu mentor vai te dar caminhos, mas você que vai definir o que faz mais sentido para você. Você vai aprender na jornada, vai aprender sozinho, vai aprender com os erros, com outras pessoas, com exemplos, com mestres. Tudo é fonte de aprendizado.

E olhando para essa nova forma de ensino conseguimos ver uma série de iniciativas que estão mudando a educação. Sites de cursos online, como a Descola, Udacity, Udemy, Skillshare ou o Coursera. Colégios usando pedagogia Waldorf, de Rudolf Steiner, a Escola da Ponte, Escolas de cursos livres como a General Assembly, a Echos, a Perestroika ou a Casa do Saber. Empresas exercendo o papel de mentoras de seus colaboradores com programas elaborados de inovação aberta ou de desenvolvimento pessoal, como Accenture, Alelo ou Natura. Pessoas buscando informações no Google ou vendo vídeos no Youtube. Essas e muitas outras iniciativas estão, cada uma a seu modo, promovendo uma nova forma de ensinar e aprender.

Algumas se baseiam mais na forma como você aprende, outras em quem ensina, outras no tempo ou no local.

Você deve estar se perguntando: e qual dessas formas é melhor? A resposta é que não tem um modelo definitivo. Cada uma vai ajudar uma pessoa diferente, para um desafio diferente em um processo diferente. E essa é a beleza dos novos modelos de educação.

É a quebra definitiva com o modelo antigo, igual para todo mundo, com severo controle e nenhuma personalização. Hoje temos um modelo em que o aluno tem cada vez mais o poder de definir seus caminhos e a forma de aprendizado.

Então, a próxima vez que você ouvir a famosa frase “A educação é a mesma faz 200 anos” pare para refletir nessas novas iniciativas e formatos de aprendizado.

E o legal é que esse é só o começo de uma série de movimentos e iniciativas. A educação está acompanhando as mudanças do mundo, evoluindo de forma exponencial, cada vez mais rápido e cada vez melhor

Por: André Tanesi