phone 11 5585.7756 / 93107.7434   mail contato@votta.com.br

.IMG 0499

O que essa prática pode nos ensinar sobre ser eficiente no que se faz e, ainda, inovar

Planejar uma estratégia e empreender é um pouco como surfar. Parte do trabalho é sobre eficiência. Deitado na prancha, uma braçada o impulsiona para a frente. À medida que se rema além da arrebentação, o avanço é incremental. Um tanto de esforço para um tanto de avanço. Outra parte do trabalho depende do senso de oportunidade. A experiência e o observar da ondulação o posicionam no ponto onde vai quebrar a próxima onda. Um par de remadas gera a velocidade necessária, o corpo arqueja, os pés sobre a prancha, e, sem mais esforço, você corre a parede da onda: um movimento exponencial, que demanda um pouco de esforço para um monte de avanço. Da praia tudo parece fluido, mas a satisfação que escapa do seu sorriso não conta a história do que lhe permitiu sair de um processo incremental para um exponencial, a jornada de ganhar forma física e aprender a manipular e equilibrar a prancha debaixo d’água quando as ondas surgem. Também não mostra as repetidas explosões de braçadas na hora errada e que não geram movimento.

Saltos exponenciais requerem uma combinação de esforço, observação e persistência, mas há algo que vem antes do processo de prática e preparação: a inspiração inovadora, a mudança de paradigma que alguém gerou quando olhou uma onda quebrar e imaginou que poderia ser impulsionado por ela. É mais fácil aprender o salto exponencial quando da praia já vimos alguém surfar. Mas alguém no paraíso da Polinésia primeiro observou uma onda e se imaginou ali. Abriu um espaço longo o suficiente entre observar o que acontecia e julgar o que isso significa para que algo novo emergisse: o surfe.

A inovação acontece no espaço entre observar, perceber algo e o julgamento — definir e classificar o que se vê. Esse espaço não se dilata em qualquer estado mental. Ajuda a praticar contemplação: observar sem reagir ou julgar. A prática lúdica da experimentação, com tolerância ao erro, também fermenta o inusitado. E tanto a experimentação como a tolerância ao erro dependem de um ambiente seguro e fértil, porque sem confiança não se brinca — ninguém toma riscos se é punido quando não acerta. Sem espaço para o erro não há inovação. O erro e o ócio fertilizam o novo como composto na horta.
Espaços de trabalho que respondem aos chamados e anseios das pessoas são berçários de inovação. Para compartilhar sonhos e desejos precisamos de ambientes nos quais florescem relações de confiança. Criar uma cultura de inovação começa por ouvir as pessoas e oferecer relações justas: uma dinâmica de colaboração e generosidade em que o foco não está em estruturas de poder e competição. A eficiência dá resultado incremental.  A inovação, exponencial. O equilíbrio entre as duas coloca você na onda. 

Por: Lucas Tauil de Freitas