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Dodeskaden Poster

 

Em seu primeiro filme a cores, embarque em uma incrível mistura entre fantasia e realidade. Akira Kurosawa relata a vida de pessoas comuns que moram em uma favela, em Tóquio. Situações como alcoolismo, fome, gravidez em pessoas de baixíssima renda são temas tratados de maneira única, que só ele sabe como fazer.

 

Sobre “Dodeskaden – O Caminho da Vida“, o que posso tirar de lição é que Akira Kurosawa, além de ser um dos maiores expoentes do cinema tido como “humanista”, ainda consegue a proeza de se utilizar das cores como matéria-prima para evidenciar os dramas de seus personagens. Trabalho de gênio. O filme, que é baseado em uma série de contos intitulada “A Cidade Sem Estações”, de Shugoro Yamamoto, foi costurado por Kurosawa de maneira simples, basicamente episódica. O jovem Rokuchan (Yoshitaka Zushi), a bordo de seu trem imaginário, vai andar pelo vilarejo onde vive, situado numa favela em meio ao lixão da cidade de Tóquio. Nesse mesmo antro, encontram-se personagens com dramas variados. É o que podemos perceber ao conhecer dois amigos beberrões que, por engano, trocam de esposas, um velho estranho que vive sozinho , um alcoólatra que explora e abusa sexualmente de sua sobrinha e um mendigo sonhador que passa fome junto com seu filho pequeno. Todos esses casos é – desconfio eu – produto da narrativa engenhosa de Rokuchan, chamado pelos vizinhos de “maluco do trem”. Se é verdade ou não, cada um será capaz de tirar suas próprias conclusões. “Dodeskaden” (o título vem da onomatopeia japonesa para o barulho do trem) é conhecido por ser o primeiro filme com cores de Akira Kurosawa. A obra foi considerada absurdamente dramática (e é mesmo), não rendeu nas bilheterias e decepcionou críticos orientais e ocidentais. Kurosawa ficou tão arrasado, que ele tentaria suicídio no ano seguinte, além de ter ficado mais cinco anos sem lançar outros trabalhos. Em resumo, “Dodeskaden – O Caminho da Vida” foi um enorme fracasso. Em parte, eu até concordo que a obra não seja, de fato, o melhor exemplo para discutir sobre a genialidade de Akira Kurosawa – que já não é unanimidade -, mas a grande lição a ser tirada do filme, convenhamos, é passada da maneira mais linda possível.

Por: Adécio Moreira Jr.