phone 11 5585.7756 / 93107.7434   mail [email protected]

1089151 N (3)

A intuição na Profissão 

 – Palavra derivada do l atim “intueor”, que significa “ver”, pode explicar como podemos “ver” respostas para problemas, sem fundamentação. Há os que afirmam ser sinônimo de pressentimento, quando temos a sensação de que algo acontecerá e parece que adivinhamos antes. Para a psicologia, é um conhecimento que se acessa sem racionalidade.

No esoterismo é considerada como uma manifestação de capacidades extrassensorial, sendo possível ser desenvolvida através de técnicas, como meditação, por exemplo. A Filosofia ensina que a intuição é ponto de partida da possibilidade da invenção. É um pensamento puro, espontâneo.

A comunidade científica acredita em informações captadas pelos cinco sentidos e alocadas no córtex cerebral. Nesses casos, a intuição é decorrente do acesso consciente de dados que indica uma tendência para um evento. Existe uma diferença entre apostar em uma possibilidade futura e prever o futuro. A intuição pode ser entendida como a percepção de uma possibilidade e não a certeza de uma ocorrência no futuro.

Albert Einstein disse que “o intelecto tem pouco a fazer no caminho para a descoberta. Então, chega um salto à consciência, chame-o de intuição ou do que quiser, e a solução vem e você não sabe como ou por quê”. Considerado um famoso intuitivo, criou a Teoria da Relatividade: imaginação e criatividade, que veio intuitivamente.

De que forma a intuição pode contribuir para decisões no planejamento e gestão da carreira?

Como valorizar esses impulsos que podem ajudar na tomada de uma decisão na trajetória profissional?

Em geral, os profissionais usam a intuição em situações incertas, como negociações e entrevistas de emprego. Já ouvi diversos relatos sobre processos seletivos, dentre eles o de um profissional que teve uma sensação ruim na entrevista final. Sentiu algo que não soube traduzir racionalmente ao perceber a comunicação não verbal desalinhada do discurso do entrevistador.

Perdeu a confiança e percebeu que algo não daria certo se aceitasse a proposta. Optou por trabalhar em outra organização. Meses depois foi convidado novamente para o mesmo processo seletivo. Ao questionar o motivo de um novo convite, explicaram que em nove meses dois profissionais já haviam ocupado a vaga, mas pediram demissão, porque a liderança era autocrática e tratava a equipe sem respeito algum. Agradeceu duplamente, pelo convite e ao seu “anjo da guarda”.

Ninguém pode intuir por nós. É um processo pessoal. Durante a minha carreira tive o privilégio de interagir e aprender com alguns profissionais diferenciados a respeitar esses sinais, que devemos deixar fluir. Com uma ex-chefe e executiva, que escolhi para ser a mentora da minha carreira, aprendi a analisar em profundidade as raízes de um problema usando a observação e reflexão. Ouvir mais o inconsciente, perceber o que realmente é relevante e descartar o que não agrega valor. Suas orientações têm forte influência nas minhas escolhas.

Com um CEO e cliente, que tem a mente intuitiva, vieram as lições relacionadas aos sinais que se manifestam no organismo, quando se inicia um processo de pensamento inconsciente na sua mente. É admirável sua autoconsciência. Respeita com serenidade, sem ansiedade ou precipitação, o seu sentimento intuitivo na tomada de decisão. Sua visão ampla associada à intuição são ferramenta poderosa e diferenciada na gestão do negócio e da empresa.

Destaco também os aprendizados com uma executiva de recursos humanos, que teve participação especial quando decidi empreender. É uma pessoa que consegue facilmente “ver” fatos que estão longe de acontecer. Intuitivamente incentiva, com um sentimento espontâneo e verdadeiro. Suas dicas valiosas contribuíram muito para os resultados alcançados no redesenho da minha trajetória profissional.

Inexiste uma fórmula mágica. Não é preciso ser vidente. De alguma forma todos nós já vivenciamos os efeitos da intuição em nossas escolhas. São “pistas” ou alguma “luz amarela” que pisca no inconsciente alertando que algo não caminha bem. Perceba e acredite nesses sinais, que podem chamar a atenção para uma reflexão mais profunda e cautelosa.

Fonte: O Estado de São Paulo – por: Ylana Miller